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Classificação CEAP das Varizes: entenda os estágios C0 a C6

A classificação CEAP é o sistema internacional usado por cirurgiões vasculares para descrever a gravidade da doença venosa crônica, de C0 (sem sinais visíveis) a C6 (úlcera ativa). Ela orienta diretamente a escolha do tratamento em Brasília, definindo se a conduta será conservadora, minimamente invasiva ou cirúrgica.

Revisado por Dr. Davi Heckmann, CRM-DF 26937 | RQE 18064, 18065, 19457 · Atualizado em 21 de julho de 2026

O que é a classificação CEAP

A classificação CEAP é o sistema internacional adotado por cirurgiões vasculares e angiologistas para descrever, de forma padronizada, a gravidade da doença venosa crônica dos membros inferiores. O nome é formado pelas iniciais de quatro componentes avaliados: Clínico (sinais visíveis na perna), Etiológico (causa da doença, se congênita, primária ou secundária), Anatômico (quais veias estão afetadas, superficiais, profundas ou perfurantes) e Patofisiológico (se o problema é de refluxo, obstrução ou ambos).

Na prática do consultório, o componente mais utilizado para comunicação com o paciente e para orientar decisões de tratamento é o C, o critério clínico, numerado de C0 a C6. Cada número representa um estágio de gravidade crescente, permitindo comparar a evolução do quadro ao longo do tempo e justificar a urgência ou não de uma intervenção.

Os estágios clínicos de C0 a C6

  • C0: nenhum sinal visível ou palpável de doença venosa, mesmo que o paciente refira sintomas como peso ou cansaço nas pernas.
  • C1: presença de telangiectasias (vasinhos) ou veias reticulares, sem varizes propriamente ditas.
  • C2: varizes visíveis, veias dilatadas e tortuosas com diâmetro igual ou superior a 3 milímetros.
  • C3: edema (inchaço) de origem venosa, geralmente perceptível ao final do dia e que melhora com elevação das pernas.
  • C4: alterações de pele decorrentes da doença venosa, subdivididas em C4a (pigmentação ou eczema) e C4b (lipodermatoesclerose, endurecimento e espessamento da pele).
  • C5: úlcera venosa já cicatrizada, indicando histórico de ferida que fechou mas mantém risco de recidiva.
  • C6: úlcera venosa ativa, aberta, exigindo tratamento tópico e vascular simultâneos.

Como a classificação orienta a escolha do tratamento

O estágio CEAP não é apenas uma descrição, ele orienta diretamente a conduta clínica. Pacientes em C0 ou C1 costumam se beneficiar de medidas conservadoras, como uso de meias de compressão, atividade física regular e controle de fatores de risco. Já a partir de C2, quando há varizes estabelecidas com refluxo confirmado por ecografia com Doppler, entram em discussão os tratamentos minimamente invasivos, como laser endovenoso, radiofrequência ou escleroterapia.

Nos estágios C4 a C6, a presença de dano tecidual já instalado muda a urgência da abordagem. Aqui, o tratamento da causa venosa costuma ser combinado a cuidados locais da pele ou da ferida, e a decisão sobre o método (cirúrgico ou minimamente invasivo) considera o calibre das veias envolvidas, a extensão do refluxo e a condição clínica geral do paciente.

Estágios C4, C5 e C6 indicam maior urgência de avaliação, pois representam dano tecidual já instalado na pele e risco progressivo de complicações, como infecção ou úlcera de difícil cicatrização.

Tabela comparativa dos estágios CEAP

EstágioAchado clínico principalConduta típica
C0Sem sinais visíveisObservação, controle de fatores de risco
C1Vasinhos (telangiectasias)Escleroterapia, medidas estéticas e preventivas
C2Varizes visíveisMeias de compressão ou tratamento minimamente invasivo
C3Inchaço venosoCompressão, investigação de refluxo com Doppler
C4Alterações de peleTratamento vascular associado a cuidados dermatológicos
C5Úlcera cicatrizadaTratamento vascular para prevenir recidiva
C6Úlcera ativaTratamento vascular e cuidado da ferida simultâneos

Por que buscar a classificação correta

Conhecer o próprio estágio CEAP ajuda o paciente a entender a real gravidade do seu quadro, evitando tanto a banalização de sinais que já indicam doença estabelecida quanto a preocupação excessiva com achados ainda leves. A classificação é sempre definida por avaliação clínica presencial, complementada pela ecografia vascular com Doppler, que detalha o comportamento do fluxo sanguíneo nas veias superficiais e profundas.

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Perguntas frequentes

O que significa a sigla CEAP?

CEAP é um acrônimo para Clínica, Etiológica, Anatômica e Patofisiológica, as quatro categorias que compõem a avaliação completa da doença venosa crônica. Na prática clínica, o componente mais usado no dia a dia é o C (clínico), numerado de C0 a C6.

Ter varizes visíveis já significa estágio C4 ou C5?

Não. Varizes visíveis sem outras alterações de pele correspondem ao estágio C2. Os estágios C4, C5 e C6 exigem alterações na pele, como manchas, endurecimento ou úlceras, que são mais avançadas do que a simples presença de veias dilatadas.

Todo estágio CEAP precisa de cirurgia?

Não. Estágios iniciais como C0 a C2 costumam ser acompanhados com medidas conservadoras ou tratamentos minimamente invasivos. A indicação cirúrgica depende do calibre das veias, do grau de refluxo identificado na ecografia com Doppler e da evolução clínica.

Por que os estágios C4 a C6 são considerados mais urgentes?

Porque nesses estágios já existe dano tecidual instalado, como alterações de pigmentação, endurecimento da pele (lipodermatoesclerose) ou úlcera aberta. Quanto mais tempo esse quadro permanece sem tratamento, maior o risco de infecção e de cicatrização mais lenta.

A classificação CEAP substitui a ecografia com Doppler?

Não. A classificação CEAP descreve o quadro clínico e anatômico observado, mas o diagnóstico detalhado do refluxo e do calibre das veias depende da ecografia vascular com Doppler, exame complementar essencial ao estadiamento completo.

Fontes e referências

Dr. Davi Heckmann — Formação e Credenciais

O Dr. Davi Heckmann é médico angiologista e cirurgião vascular, com mais de 10 anos de experiência dedicados ao diagnóstico e tratamento de doenças venosas, arteriais e linfáticas, com foco especializado em varizes dos membros inferiores, lipedema e saúde vascular feminina.

  • Formado em medicina há mais de 15 anos, com especialização em Cirurgia Vascular.
  • Especialização em Cirurgia Endovascular e Ecografia Vascular com Doppler.
  • Fellowship na Medical University of South Carolina (EUA), em radiologia intervencionista.
  • CRM-DF 26937 | RQE 18064, 18065, 19457.

Todo o conteúdo desta página foi revisado e aprovado pelo Dr. Davi Heckmann. As informações têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem uma avaliação médica individualizada.

As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência.

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