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Doença Arterial Periférica: quando a dor ao caminhar tem origem circulatória

A doença arterial periférica é o estreitamento das artérias das pernas, geralmente por aterosclerose. O sintoma mais característico é a claudicação intermitente, dor que surge ao caminhar e melhora com o repouso, além de frieza e alterações de cor nos pés. O diagnóstico em Brasília envolve exame dos pulsos, índice tornozelo-braço e ecografia arterial com Doppler.

Revisado por Dr. Davi Heckmann, CRM-DF 26937 | RQE 18064, 18065, 19457 · Atualizado em 21 de julho de 2026

O que é a doença arterial periférica

A doença arterial periférica é o estreitamento progressivo ou a obstrução das artérias responsáveis por levar sangue rico em oxigênio até os membros, mais frequentemente as pernas. Na grande maioria dos casos, a causa é a aterosclerose, processo em que placas de gordura, cálcio e outras substâncias se depositam na parede interna das artérias, reduzindo gradualmente seu calibre e, eventualmente, obstruindo o fluxo sanguíneo.

Diferente das doenças venosas, que envolvem o retorno do sangue ao coração, a doença arterial periférica afeta o fornecimento de sangue aos tecidos. Essa distinção é importante porque os sintomas, os fatores de risco e o tratamento seguem lógicas praticamente opostas entre as duas condições, apesar de ambas serem tratadas por especialistas em cirurgia vascular.

Sintomas

  • Claudicação intermitente: dor, cãibra ou fadiga muscular na panturrilha, coxa ou glúteo que surge durante a caminhada e alivia com o repouso, reaparecendo após percorrer distância semelhante.
  • Frieza nos pés: a perna ou o pé afetado costuma estar mais frio ao toque em comparação com o lado saudável.
  • Alterações de coloração: palidez ao elevar a perna e vermelhidão arroxeada ao deixá-la pendente são sinais característicos de comprometimento arterial.
  • Enfraquecimento ou ausência de pulsos: percebido ao exame físico nos pontos onde normalmente se palpam os pulsos das pernas e pés.
  • Feridas que não cicatrizam: em estágios mais avançados, pequenos ferimentos nos dedos ou no pé demoram muito para cicatrizar ou não cicatrizam.
  • Dor em repouso: nos casos mais graves, a dor passa a ocorrer mesmo sem esforço, muitas vezes pior à noite.

Fatores de risco

O tabagismo é um dos fatores mais fortemente associados à doença arterial periférica, tanto no surgimento quanto na velocidade de progressão. Diabetes mellitus, hipertensão arterial e níveis elevados de colesterol também contribuem diretamente para a formação e o crescimento das placas de aterosclerose nas artérias. A combinação de múltiplos fatores de risco, comum em pacientes com diabetes e hipertensão associados, aumenta consideravelmente a velocidade de progressão da doença e o risco de complicações.

Diagnóstico

A avaliação inicial inclui a palpação cuidadosa dos pulsos nas pernas e nos pés, comparando os dois lados. A ausência ou diminuição de um pulso já é um indício relevante de obstrução arterial. O índice tornozelo-braquial é um exame simples e não invasivo que compara a pressão arterial medida no tornozelo com a pressão medida no braço, fornecendo uma estimativa objetiva da gravidade da obstrução. Quando indicado, a ecografia arterial com Doppler complementa a investigação, localizando com precisão os pontos de estreitamento ou obstrução e quantificando a velocidade do fluxo sanguíneo nas artérias avaliadas.

Doença arterial x doença venosa: entendendo as diferenças

Como as duas condições afetam as pernas e podem gerar sintomas parecidos à primeira vista, como dor e alterações de pele, é importante saber diferenciá-las, já que o tratamento de uma pode ser prejudicial à outra, especialmente no caso do uso de terapia compressiva.

AspectoDoença arterial periféricaDoença venosa (varizes/insuficiência)
Vaso afetadoArtérias (levam sangue às pernas)Veias (trazem sangue de volta ao coração)
DorPiora ao caminhar, melhora com repousoPiora ao ficar em pé/sentado, melhora ao elevar a perna
Temperatura da peleFriaNormal ou quente, se houver inflamação
ColoraçãoPálida ao elevar, arroxeada ao penderHiperpigmentada (escurecida), principalmente no tornozelo
PulsosDiminuídos ou ausentesPresentes e normais
Uso de compressãoContraindicada sem avaliação préviaIndicada como parte do tratamento

Tratamento e controle dos fatores de risco

O tratamento da doença arterial periférica começa pelo controle rigoroso dos fatores de risco: interrupção do tabagismo, controle do diabetes, da hipertensão e do colesterol, além de programa estruturado de caminhada supervisionada, que estimula a formação de circulação colateral e melhora a distância percorrida sem dor. Em casos mais avançados, com dor em repouso ou feridas que não cicatrizam, procedimentos para restaurar o fluxo sanguíneo podem ser necessários.

Dor em repouso, feridas nos dedos ou no pé que não cicatrizam, ou mudança súbita de coloração e temperatura em uma perna são sinais de alerta que exigem avaliação vascular urgente, pois podem indicar risco à viabilidade do membro.

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Perguntas frequentes

O que é claudicação intermitente?

É a dor, cãibra ou cansaço muscular na perna que surge após caminhar determinada distância e melhora rapidamente com o repouso. É o sintoma mais característico da doença arterial periférica, causado pela falta de oxigênio no músculo durante o esforço.

Doença arterial periférica é a mesma coisa que varizes?

Não. São condições opostas em vários aspectos: as varizes envolvem o sistema venoso, que traz o sangue de volta ao coração, enquanto a doença arterial periférica afeta as artérias, que levam sangue rico em oxigênio até as pernas. Os sintomas e o tratamento são diferentes.

Quais os principais fatores de risco para doença arterial periférica?

Tabagismo, diabetes, hipertensão arterial e colesterol elevado são os principais fatores de risco, muitas vezes associados entre si. O tabagismo é considerado um dos fatores mais fortemente ligados à progressão da doença.

Como é feito o diagnóstico da doença arterial periférica?

O diagnóstico começa pela palpação dos pulsos nas pernas e pés durante o exame físico, seguido pelo índice tornozelo-braquial, exame simples que compara a pressão arterial no tornozelo e no braço, e pela ecografia arterial com Doppler para localizar e quantificar a obstrução.

A doença arterial periférica pode ser grave?

Sim, em estágios avançados pode causar dor mesmo em repouso e feridas que não cicatrizam nos pés, situação que pode colocar em risco a viabilidade do membro. Por isso o acompanhamento e o tratamento dos fatores de risco são importantes desde os sintomas iniciais.

Fontes e referências

Dr. Davi Heckmann — Formação e Credenciais

O Dr. Davi Heckmann é médico angiologista e cirurgião vascular, com mais de 10 anos de experiência dedicados ao diagnóstico e tratamento de doenças venosas, arteriais e linfáticas, com foco especializado em varizes dos membros inferiores, lipedema e saúde vascular feminina.

  • Formado em medicina há mais de 15 anos, com especialização em Cirurgia Vascular.
  • Especialização em Cirurgia Endovascular e Ecografia Vascular com Doppler.
  • Fellowship na Medical University of South Carolina (EUA), em radiologia intervencionista.
  • CRM-DF 26937 | RQE 18064, 18065, 19457.

Todo o conteúdo desta página foi revisado e aprovado pelo Dr. Davi Heckmann. As informações têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem uma avaliação médica individualizada.

As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência.

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