Mito 1: Varizes são apenas uma questão estética
Esse é um dos mitos mais difundidos e também um dos mais arriscados, porque leva muitas pessoas a adiarem a avaliação médica por anos. Na realidade, as varizes visíveis são, na maioria dos casos, a manifestação externa de um problema funcional: o refluxo venoso, quando as válvulas dentro das veias deixam de funcionar corretamente e o sangue passa a fluir no sentido contrário ao esperado, acumulando-se nos membros inferiores.
Esse acúmulo de sangue aumenta a pressão dentro das veias ao longo do tempo, processo que pode evoluir para inchaço, alterações de pele, endurecimento do tecido subcutâneo e, em casos mais avançados, úlceras venosas. Ou seja, mesmo quando o paciente não se incomoda com a aparência das veias, a presença de varizes representa um sinal clínico que merece investigação, especialmente com ecografia vascular com Doppler.
Mito 2: A cirurgia de varizes é sempre grande e dolorosa
Durante décadas, o tratamento cirúrgico de varizes esteve associado à fleboextração tradicional, procedimento que envolve incisões maiores, anestesia geral ou raquianestesia e um período de recuperação mais longo. Essa imagem ainda está presente no imaginário popular, mas não corresponde à maioria dos tratamentos oferecidos atualmente.
Hoje, grande parte dos casos de varizes é tratada com técnicas minimamente invasivas, como o laser endovenoso e a radiofrequência, que fecham a veia doente por dentro, através de uma pequena punção guiada por ecografia, sem necessidade de cortes extensos. Para vasinhos e varizes de menor calibre, a escleroterapia (injeção de uma substância que provoca o fechamento da veia) costuma ser suficiente. A escolha do método depende diretamente do calibre da veia e do padrão de refluxo identificado no exame de imagem.
Mito 3: Depois de tratada, a variz nunca mais volta
O tratamento, seja ele a laser, radiofrequência, escleroterapia ou cirurgia, elimina de forma definitiva a veia doente que foi tratada. No entanto, isso não significa que o paciente esteja protegido contra o surgimento de novas varizes no futuro. A insuficiência venosa crônica está relacionada a fatores genéticos, hormonais e de estilo de vida que continuam atuando sobre o sistema venoso mesmo depois do tratamento.
Por isso, o acompanhamento periódico com o cirurgião vascular é importante mesmo após o tratamento bem-sucedido, permitindo identificar precocemente o surgimento de novas veias insuficientes e adotar medidas preventivas, como uso de meias de compressão e manutenção de hábitos de vida que favoreçam a circulação.
Tratar as varizes existentes não elimina a predisposição individual à doença venosa. O acompanhamento contínuo é parte do cuidado, não uma falha do tratamento anterior.
Mito 4: Só preciso me preocupar quando doer
A intensidade da dor não é um indicador confiável da gravidade da doença venosa. Existem pacientes com varizes volumosas e refluxo importante que relatam pouco ou nenhum desconforto, enquanto outros com alterações discretas, como vasinhos, sentem incômodo significativo. Isso acontece porque a percepção de dor depende de fatores individuais, como sensibilidade nervosa e localização das veias afetadas.
Esperar a dor aparecer para buscar avaliação pode significar procurar ajuda apenas quando a doença já avançou para estágios mais graves da classificação CEAP, como alterações de pele ou úlceras. A avaliação vascular deve ser guiada por sinais objetivos, como presença de veias dilatadas, inchaço, alterações de pele e histórico familiar, não apenas pela presença ou ausência de dor.
Mito 5: Varizes são um problema só de mulher mais velha
É verdade que as varizes são mais prevalentes em mulheres, em parte por fatores hormonais, uso de anticoncepcionais e pelas alterações vasculares que ocorrem durante a gravidez. Também é verdade que a prevalência aumenta com a idade, já que o desgaste das válvulas venosas é cumulativo ao longo dos anos. No entanto, isso não torna a condição exclusiva de mulheres ou de pessoas mais velhas.
Homens desenvolvem varizes com frequência relevante, especialmente quando há histórico familiar, profissões que exigem longos períodos em pé, sobrepeso ou sedentarismo. Da mesma forma, adultos jovens, incluindo pessoas na faixa dos 20 e 30 anos, podem apresentar varizes, sobretudo quando há fator genético relevante. Reduzir o problema a um estereótipo de idade e gênero contribui para que outros grupos de pacientes demorem a procurar avaliação especializada.
Tabela resumo: mito x fato
| Mito | Fato clínico |
|---|---|
| Varizes são só estética | Costumam indicar refluxo venoso, condição funcional que pode progredir |
| Cirurgia é sempre grande e dolorosa | Grande parte dos casos usa técnicas minimamente invasivas |
| Depois de tratada, nunca mais volta | A veia tratada não retorna, mas novas varizes podem surgir |
| Só preciso me preocupar se doer | Gravidade não se mede pela dor, e sim por exame clínico e de imagem |
| É um problema só de mulher mais velha | Atinge homens, jovens e pessoas com histórico familiar em qualquer idade |
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