O que são telangiectasias
Telangiectasias, conhecidas popularmente como vasinhos, são pequenos vasos sanguíneos dilatados e visíveis na superfície da pele, com calibre inferior a um milímetro. Costumam aparecer como linhas finas avermelhadas, arroxeadas ou azuladas, formando às vezes padrões ramificados semelhantes a uma teia. São extremamente comuns, principalmente nas pernas, e afetam uma parcela significativa da população adulta, com maior frequência em mulheres.
Na classificação CEAP, sistema internacional usado para categorizar a gravidade da doença venosa, as telangiectasias correspondem ao estágio C1, o mais inicial da escala clínica. Isso significa que, tecnicamente, já representam uma manifestação da doença venosa, ainda que na grande maioria dos casos permaneçam estáveis e sem repercussão funcional relevante ao longo da vida.
Quando o vasinho é "só estético"
Na maior parte dos casos, os vasinhos aparecem de forma isolada, sem sintomas associados como dor, peso ou inchaço nas pernas, e sem relação com refluxo significativo em veias maiores. Nessa situação, a queixa é predominantemente estética, e o tratamento tem como objetivo principal a melhora da aparência da pele, sem implicações para a saúde vascular a longo prazo.
Fatores como exposição solar, predisposição genética, uso prolongado de determinadas medicações hormonais e envelhecimento natural da pele contribuem para o surgimento de vasinhos isolados, sem necessariamente indicar doença venosa progressiva.
Quando o vasinho pode ser sinal de algo maior
Em outros casos, os vasinhos são a expressão visível de um refluxo venoso mais significativo, presente em veias reticulares (de calibre um pouco maior, localizadas um pouco mais profundamente na pele) ou até em veias superficiais maiores, que alimentam a rede de vasinhos observada na superfície. Nessa situação, tratar apenas os vasinhos visíveis sem identificar e abordar a causa subjacente tende a resultar em recidiva rápida após o procedimento estético, além de não impedir a eventual progressão da doença venosa de base.
Sinais que sugerem investigação mais aprofundada antes do tratamento estético: presença de vasinhos associados a sensação de peso ou cansaço nas pernas, histórico familiar importante de varizes, vasinhos concentrados em uma área específica associados a uma variz de maior calibre próxima, ou recidiva rápida de vasinhos já tratados anteriormente.
Vasinhos x varizes: entendendo a diferença
| Característica | Vasinhos (telangiectasias) | Varizes |
|---|---|---|
| Calibre | Menos de 1 mm | Maior que 3 mm, geralmente |
| Classificação CEAP | C1 | C2 ou superior |
| Relevo ao toque | Plano, sem relevo perceptível | Saliente, palpável como cordão |
| Sintomas associados | Raramente | Peso, cansaço e inchaço são comuns |
| Necessidade de ecografia prévia | Recomendável para descartar causa maior | Indicada como padrão antes do tratamento |
Diagnóstico e avaliação prévia
Mesmo diante de uma queixa aparentemente simples, a avaliação clínica inicial deve incluir a investigação de sintomas associados e o exame físico das pernas, observando a distribuição dos vasinhos e a presença de veias reticulares ou varizes próximas. Quando há suspeita de refluxo maior, a ecografia vascular com Doppler é indicada para mapear o sistema venoso antes de iniciar qualquer procedimento estético, evitando tratar apenas a manifestação visível sem abordar a origem do problema.
Tratamento
Os dois métodos mais utilizados para tratamento de telangiectasias são a escleroterapia e o laser transdérmico. A escleroterapia consiste na injeção de uma substância esclerosante diretamente no vasinho, provocando seu fechamento gradual e posterior absorção pelo organismo. O laser transdérmico, por sua vez, aplica energia luminosa através da pele, que é absorvida pela hemoglobina do sangue dentro do vaso, gerando calor suficiente para fechá-lo sem necessidade de injeção.
- Escleroterapia: indicada principalmente para vasinhos de calibre um pouco maior e veias reticulares associadas, permitindo tratar áreas mais extensas em uma mesma sessão.
- Laser transdérmico: mais indicado para vasinhos muito finos, de coloração avermelhada, em áreas de pele mais sensível ou de difícil acesso para agulha.
A escolha entre as técnicas, ou a combinação de ambas, depende da avaliação individual do calibre, da cor e da localização dos vasos, sempre precedida da investigação clínica que descarta ou identifica refluxo venoso maior associado.
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