O que é trombose venosa profunda
A trombose venosa profunda, frequentemente chamada pela sigla TVP, é a formação de um coágulo sanguíneo dentro de uma veia do sistema venoso profundo, geralmente localizada na panturrilha, na coxa ou na região pélvica. Diferente das veias superficiais, visíveis logo abaixo da pele, as veias profundas correm entre os músculos e são responsáveis pela maior parte do retorno do sangue das pernas ao coração.
Quando um coágulo se forma nessas veias, ele pode obstruir parcial ou totalmente o fluxo sanguíneo, causando os sintomas característicos de inchaço e dor. O risco mais grave, no entanto, não está apenas na obstrução local, mas na possibilidade de fragmentos do coágulo se soltarem e viajarem pela corrente sanguínea até os pulmões, quadro conhecido como embolia pulmonar, que pode ser fatal.
Sintomas
- Inchaço súbito e unilateral: geralmente afeta uma perna, com aumento perceptível de volume em curto espaço de tempo.
- Dor: costuma ser descrita como uma dor profunda, tipo cãibra ou peso, que piora ao caminhar ou ao flexionar o pé para cima.
- Vermelhidão e calor localizado: a pele sobre a área afetada pode ficar avermelhada e mais quente ao toque em comparação com a perna oposta.
- Sensação de peso ou tensão: a perna afetada pode parecer mais pesada ou "cheia" do que o habitual.
- Dilatação de veias superficiais: em alguns casos, veias superficiais próximas ficam mais visíveis como forma de desviar o sangue represado.
É importante destacar que a trombose venosa profunda pode, em alguns casos, ser assintomática ou apresentar sinais discretos, o que não reduz sua gravidade potencial.
Fatores de risco
A formação do coágulo está associada a três mecanismos principais: estase venosa (redução do fluxo sanguíneo), lesão da parede do vaso e alterações na coagulação do sangue, um conjunto historicamente descrito como tríade de Virchow. Diversas situações clínicas e de estilo de vida aumentam esse risco.
| Fator de risco | Por que aumenta o risco |
|---|---|
| Imobilização prolongada | Reduz o fluxo sanguíneo nas pernas, favorecendo a estase venosa |
| Cirurgias recentes, sobretudo ortopédicas | Combinam imobilização, lesão tecidual e alteração da coagulação |
| Gestação e puerpério | Alterações hormonais e compressão das veias pélvicas pelo útero aumentam a estase |
| Uso de anticoncepcionais hormonais | Pode alterar fatores de coagulação sanguínea |
| Viagens longas (avião, ônibus, carro) | Imobilidade prolongada nas pernas por várias horas |
| Histórico familiar ou trombofilia | Predisposição genética a distúrbios de coagulação |
| Câncer ativo e alguns tratamentos oncológicos | Alteram o equilíbrio da coagulação sanguínea |
| Obesidade e tabagismo | Contribuem para lesão vascular e alteração do fluxo sanguíneo |
Diagnóstico
A ecografia vascular com Doppler venoso é o exame de escolha para confirmar ou descartar a trombose venosa profunda. Ele permite visualizar diretamente a veia suspeita e verificar se ela se comprime normalmente com a pressão do transdutor, sinal de ausência de coágulo, ou se mantém rígida e não compressível, o que indica obstrução. O exame é rápido, não invasivo e pode ser repetido conforme a necessidade de acompanhamento.
Em alguns contextos clínicos, exames de sangue, como o D-dímero, auxiliam na triagem inicial, mas o diagnóstico definitivo depende da confirmação por imagem.
Tratamento
O tratamento da trombose venosa profunda tem como objetivo impedir o crescimento do coágulo, reduzir o risco de embolia pulmonar e prevenir a lesão permanente das válvulas venosas, que pode evoluir para insuficiência venosa crônica. A base do tratamento é a anticoagulação, feita com medicamentos que reduzem a capacidade de coagulação do sangue, por um período que varia conforme a causa identificada e o risco de recorrência. Em situações específicas, outras condutas complementares podem ser consideradas, sempre definidas caso a caso pelo médico responsável.
Quando é urgência
A trombose venosa profunda é uma urgência médica. Inchaço súbito, dor e vermelhidão em uma perna não devem ser observados "para ver se passa". Procure atendimento médico imediato, principalmente se houver também falta de ar, dor no peito ou tosse com sangue, sinais que podem indicar embolia pulmonar em curso e exigem avaliação em pronto-socorro sem demora.
Após o episódio agudo, o acompanhamento com cirurgião vascular é importante para monitorar a evolução do tratamento, avaliar o risco de sequelas venosas e orientar sobre prevenção de novos episódios, especialmente em pacientes com fatores de risco persistentes.
Teve inchaço súbito na perna e quer uma avaliação vascular em Brasília para investigar trombose venosa profunda?
Agendar pelo WhatsApp