O que é a úlcera venosa
A úlcera venosa é uma ferida aberta na pele, geralmente localizada na região interna do tornozelo, que resulta do estágio mais avançado da insuficiência venosa crônica não tratada, correspondente ao C6 na classificação CEAP. Diferente de um corte ou machucado comum, ela não cicatriza espontaneamente enquanto persistir a causa que a originou, o que faz desse tipo de ferida um desafio terapêutico que exige abordagem conjunta da pele e do sistema venoso.
A causa raiz da úlcera venosa é a hipertensão venosa crônica, ou seja, a pressão elevada e sustentada dentro das veias das pernas por conta do refluxo valvular de longa data. Essa pressão constante compromete progressivamente a nutrição da pele e do tecido subcutâneo, tornando-os frágeis e vulneráveis a qualquer pequeno trauma, que pode evoluir para uma ferida extensa e persistente.
Como a ferida se desenvolve
Antes do surgimento da úlcera propriamente dita, a pele geralmente já apresenta sinais de sofrimento crônico: hiperpigmentação (escurecimento por depósito de hemossiderina), endurecimento do tecido subcutâneo (lipodermatoesclerose) e eczema de estase. Esses sinais indicam que a pele está fragilizada e que qualquer trauma local, como um pequeno arranhão ou pancada, pode se tornar uma ferida que não cicatriza, justamente porque a circulação local está prejudicada pela pressão venosa elevada.
Úlcera venosa x úlcera arterial
É fundamental diferenciar a úlcera venosa da úlcera arterial, causada por falta de irrigação sanguínea adequada devido à obstrução de artérias, e não por excesso de pressão venosa. As duas exigem condutas distintas, e em alguns casos até opostas, principalmente em relação ao uso de terapia compressiva.
| Característica | Úlcera venosa | Úlcera arterial |
|---|---|---|
| Localização típica | Região interna do tornozelo | Extremidades dos dedos, calcanhar, áreas de atrito |
| Bordas da ferida | Irregulares, superficiais | Bem definidas, mais profundas |
| Dor | Geralmente moderada, alivia com a perna elevada | Intensa, piora com a perna elevada |
| Pulsos da perna | Presentes e normais | Diminuídos ou ausentes |
| Uso de compressão | Indicado como parte central do tratamento | Contraindicado sem avaliação arterial prévia |
Por isso, antes de iniciar qualquer tratamento compressivo, é indispensável avaliar também a circulação arterial da perna, geralmente pela palpação dos pulsos e, quando necessário, por exames complementares, evitando o risco de agravar uma ferida de origem arterial não identificada.
Diagnóstico
A avaliação de uma úlcera na perna começa pelo exame físico detalhado, incluindo a palpação dos pulsos arteriais e a análise das características da ferida e da pele ao redor. A ecografia vascular com Doppler é o exame central para confirmar a insuficiência venosa como causa, mapear os pontos de refluxo e verificar se há também comprometimento arterial associado, o que muda significativamente a conduta.
Tratamento: tratar a causa, não só a ferida
O erro mais comum no manejo da úlcera venosa é tratar apenas a ferida, com curativos, sem abordar a causa venosa de base. Isso resulta em cicatrização lenta e alta taxa de recidiva após o fechamento. O tratamento adequado combina três frentes que atuam em conjunto.
- Terapia compressiva: reduz a pressão venosa e o edema, favorecendo a cicatrização, desde que descartado comprometimento arterial.
- Curativos especializados: escolhidos conforme a fase da ferida, controlando exsudato, tecido desvitalizado e risco de infecção.
- Tratamento da veia insuficiente: eliminar ou reduzir o refluxo da veia que originou a hipertensão venosa, por meio de procedimentos como laser endovenoso, radiofrequência ou escleroterapia, conforme o caso.
Tratar a veia insuficiente mesmo com a úlcera ainda aberta reduz significativamente o risco de recidiva após a cicatrização. Cuidar apenas da ferida sem corrigir a causa tende a resultar em novas úlceras no mesmo local ao longo do tempo.
Tempo de cicatrização e acompanhamento
O tempo de cicatrização varia conforme o tamanho da ferida, o tempo de evolução até o início do tratamento e a adesão à terapia compressiva. Úlceras recentes e de menor extensão podem cicatrizar em poucas semanas, enquanto feridas antigas e extensas podem levar meses. O acompanhamento regular permite ajustar a conduta conforme a evolução e identificar precocemente sinais de infecção, que exigem tratamento adicional.
Tem uma ferida na perna que não cicatriza? Agende uma avaliação vascular em Brasília para tratar a causa da úlcera venosa.
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