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Úlcera Venosa: por que a ferida não cicatriza e como tratar a causa

A úlcera venosa é uma ferida de difícil cicatrização, geralmente no tornozelo, causada pela insuficiência venosa crônica avançada não tratada, o estágio C6 da CEAP. Resulta da pressão elevada e mantida nas veias, que compromete a pele ao longo do tempo. O tratamento exige controlar a causa venosa, com curativos e compressão, em Brasília.

Revisado por Dr. Davi Heckmann, CRM-DF 26937 | RQE 18064, 18065, 19457 · Atualizado em 21 de julho de 2026

O que é a úlcera venosa

A úlcera venosa é uma ferida aberta na pele, geralmente localizada na região interna do tornozelo, que resulta do estágio mais avançado da insuficiência venosa crônica não tratada, correspondente ao C6 na classificação CEAP. Diferente de um corte ou machucado comum, ela não cicatriza espontaneamente enquanto persistir a causa que a originou, o que faz desse tipo de ferida um desafio terapêutico que exige abordagem conjunta da pele e do sistema venoso.

A causa raiz da úlcera venosa é a hipertensão venosa crônica, ou seja, a pressão elevada e sustentada dentro das veias das pernas por conta do refluxo valvular de longa data. Essa pressão constante compromete progressivamente a nutrição da pele e do tecido subcutâneo, tornando-os frágeis e vulneráveis a qualquer pequeno trauma, que pode evoluir para uma ferida extensa e persistente.

Como a ferida se desenvolve

Antes do surgimento da úlcera propriamente dita, a pele geralmente já apresenta sinais de sofrimento crônico: hiperpigmentação (escurecimento por depósito de hemossiderina), endurecimento do tecido subcutâneo (lipodermatoesclerose) e eczema de estase. Esses sinais indicam que a pele está fragilizada e que qualquer trauma local, como um pequeno arranhão ou pancada, pode se tornar uma ferida que não cicatriza, justamente porque a circulação local está prejudicada pela pressão venosa elevada.

Úlcera venosa x úlcera arterial

É fundamental diferenciar a úlcera venosa da úlcera arterial, causada por falta de irrigação sanguínea adequada devido à obstrução de artérias, e não por excesso de pressão venosa. As duas exigem condutas distintas, e em alguns casos até opostas, principalmente em relação ao uso de terapia compressiva.

CaracterísticaÚlcera venosaÚlcera arterial
Localização típicaRegião interna do tornozeloExtremidades dos dedos, calcanhar, áreas de atrito
Bordas da feridaIrregulares, superficiaisBem definidas, mais profundas
DorGeralmente moderada, alivia com a perna elevadaIntensa, piora com a perna elevada
Pulsos da pernaPresentes e normaisDiminuídos ou ausentes
Uso de compressãoIndicado como parte central do tratamentoContraindicado sem avaliação arterial prévia

Por isso, antes de iniciar qualquer tratamento compressivo, é indispensável avaliar também a circulação arterial da perna, geralmente pela palpação dos pulsos e, quando necessário, por exames complementares, evitando o risco de agravar uma ferida de origem arterial não identificada.

Diagnóstico

A avaliação de uma úlcera na perna começa pelo exame físico detalhado, incluindo a palpação dos pulsos arteriais e a análise das características da ferida e da pele ao redor. A ecografia vascular com Doppler é o exame central para confirmar a insuficiência venosa como causa, mapear os pontos de refluxo e verificar se há também comprometimento arterial associado, o que muda significativamente a conduta.

Tratamento: tratar a causa, não só a ferida

O erro mais comum no manejo da úlcera venosa é tratar apenas a ferida, com curativos, sem abordar a causa venosa de base. Isso resulta em cicatrização lenta e alta taxa de recidiva após o fechamento. O tratamento adequado combina três frentes que atuam em conjunto.

  • Terapia compressiva: reduz a pressão venosa e o edema, favorecendo a cicatrização, desde que descartado comprometimento arterial.
  • Curativos especializados: escolhidos conforme a fase da ferida, controlando exsudato, tecido desvitalizado e risco de infecção.
  • Tratamento da veia insuficiente: eliminar ou reduzir o refluxo da veia que originou a hipertensão venosa, por meio de procedimentos como laser endovenoso, radiofrequência ou escleroterapia, conforme o caso.

Tratar a veia insuficiente mesmo com a úlcera ainda aberta reduz significativamente o risco de recidiva após a cicatrização. Cuidar apenas da ferida sem corrigir a causa tende a resultar em novas úlceras no mesmo local ao longo do tempo.

Tempo de cicatrização e acompanhamento

O tempo de cicatrização varia conforme o tamanho da ferida, o tempo de evolução até o início do tratamento e a adesão à terapia compressiva. Úlceras recentes e de menor extensão podem cicatrizar em poucas semanas, enquanto feridas antigas e extensas podem levar meses. O acompanhamento regular permite ajustar a conduta conforme a evolução e identificar precocemente sinais de infecção, que exigem tratamento adicional.

Tem uma ferida na perna que não cicatriza? Agende uma avaliação vascular em Brasília para tratar a causa da úlcera venosa.

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Perguntas frequentes

Por que a úlcera venosa demora tanto para cicatrizar?

Porque a pressão elevada dentro das veias insuficientes continua prejudicando a nutrição da pele enquanto a causa de base não é tratada. Cuidar apenas da ferida, sem corrigir o refluxo venoso, resulta em cicatrização lenta e alta chance de a úlcera reabrir.

Toda ferida no tornozelo é úlcera venosa?

Não. Existem também úlceras de origem arterial, causadas por falta de irrigação sanguínea, que exigem abordagem diferente e às vezes oposta à da úlcera venosa. Por isso a avaliação vascular com exames é essencial antes de definir o tratamento.

Quanto tempo leva para uma úlcera venosa cicatrizar?

Varia conforme o tamanho da ferida, o tempo de evolução e a adesão ao tratamento compressivo, podendo levar de algumas semanas a vários meses. Casos mais antigos e extensos tendem a demorar mais.

É preciso operar a veia mesmo já tendo a úlcera aberta?

Em muitos casos sim. Tratar a veia insuficiente que originou a hipertensão venosa reduz significativamente o risco de a úlcera recidivar após a cicatrização, mesmo que o procedimento seja realizado com a ferida ainda ativa, conforme avaliação individualizada.

A terapia compressiva pode ser feita em qualquer paciente com úlcera venosa?

Não. Antes de indicar compressão, é necessário descartar comprometimento arterial associado, pois a compressão pode ser prejudicial em pernas com fluxo arterial insuficiente. Por isso a avaliação vascular completa precede a definição da terapia compressiva.

Fontes e referências

Dr. Davi Heckmann — Formação e Credenciais

O Dr. Davi Heckmann é médico angiologista e cirurgião vascular, com mais de 10 anos de experiência dedicados ao diagnóstico e tratamento de doenças venosas, arteriais e linfáticas, com foco especializado em varizes dos membros inferiores, lipedema e saúde vascular feminina.

  • Formado em medicina há mais de 15 anos, com especialização em Cirurgia Vascular.
  • Especialização em Cirurgia Endovascular e Ecografia Vascular com Doppler.
  • Fellowship na Medical University of South Carolina (EUA), em radiologia intervencionista.
  • CRM-DF 26937 | RQE 18064, 18065, 19457.

Todo o conteúdo desta página foi revisado e aprovado pelo Dr. Davi Heckmann. As informações têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem uma avaliação médica individualizada.

As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência.

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