Por que a gravidez favorece o surgimento de varizes
Durante a gestação, o corpo da mulher passa por uma série de adaptações que, em conjunto, aumentam a predisposição às varizes. O volume de sangue circulante cresce progressivamente, podendo chegar a cerca de 40% a 50% acima do valor habitual até o final da gravidez, sobrecarregando o sistema venoso das pernas, que precisa conduzir esse volume extra de volta ao coração contra a força da gravidade.
Some se a isso o efeito hormonal da progesterona, que aumenta consideravelmente durante a gestação e tem ação relaxante sobre a musculatura lisa, incluindo a parede das veias. Esse relaxamento reduz o tônus venoso, facilita a dilatação dos vasos e favorece o refluxo, quando o sangue tende a retornar pelas válvulas em vez de seguir seu trajeto normal em direção ao coração.
O terceiro fator relevante é mecânico, o útero em crescimento comprime as veias pélvicas e a veia cava inferior, dificultando o retorno venoso das pernas. Esse efeito se intensifica no segundo e terceiro trimestres e explica por que muitas mulheres notam piora do inchaço e das varizes justamente nessa fase. O ganho de peso gestacional e a redução da mobilidade nas últimas semanas também contribuem para o quadro.
Sintomas mais comuns durante a gestação
- Surgimento ou piora de varizes nas pernas: veias mais dilatadas, tortuosas e visíveis, especialmente na parte interna da coxa e panturrilha.
- Inchaço (edema): mais evidente ao final do dia, nos tornozelos e pés, tendendo a melhorar com repouso e elevação das pernas.
- Sensação de peso e cansaço nas pernas: piora com o avançar da gestação e com longos períodos em pé.
- Varizes vulvares: veias dilatadas na região vulvar, mais comuns no terceiro trimestre, associadas à compressão pélvica.
- Cãibras noturnas: frequentes, embora nem sempre estejam ligadas diretamente às varizes.
Cuidados seguros durante a gravidez
O manejo das varizes na gestação é essencialmente conservador, priorizando o alívio dos sintomas e a prevenção de complicações, sem expor a gestante a procedimentos invasivos desnecessários. As meias de compressão graduada são a principal ferramenta terapêutica desse período, ajudando a musculatura das pernas a impulsionar o retorno venoso e reduzindo o inchaço e o desconforto ao longo do dia.
- Meias de compressão graduada: uso diário, com o grau de compressão definido pelo médico conforme a intensidade dos sintomas.
- Atividade física orientada: caminhadas leves e exercícios de baixo impacto, liberados pelo obstetra, ajudam a ativar a bomba muscular da panturrilha.
- Elevação das pernas: períodos de repouso com as pernas elevadas acima do nível do coração aliviam o inchaço e a sensação de peso.
- Evitar longos períodos parada em pé ou sentada: pausas regulares para movimentar as pernas favorecem a circulação.
- Hidratação adequada e controle do ganho de peso: dentro dos parâmetros recomendados pelo pré-natal.
Dor súbita e localizada em uma perna, inchaço assimétrico, vermelhidão ou endurecimento de um trajeto venoso exigem avaliação médica sem demora, pois podem indicar tromboflebite ou trombose venosa profunda, quadros de maior risco durante a gestação.
Por que o tratamento definitivo espera o pós-parto
Procedimentos definitivos para varizes, como o laser endovenoso, a radiofrequência ou a cirurgia de fleboextração, não são realizados durante a gravidez. Isso ocorre porque esses tratamentos costumam envolver anestesia, posicionamento prolongado e, em alguns casos, medicações que não têm indicação nesse período, além do risco de recidiva das varizes causado pelas próprias alterações hormonais e mecânicas ainda em curso.
Além disso, uma parcela relevante das varizes que surgem durante a gestação tende a diminuir de tamanho ou até desaparecer espontaneamente após o parto, à medida que o volume sanguíneo retorna ao normal e a compressão pélvica desaparece. Por esse motivo, a orientação padrão é aguardar entre três e seis meses após o parto, e também o fim da amamentação, para uma reavaliação vascular completa com ecografia com Doppler.
| Fase | Conduta recomendada |
|---|---|
| Durante a gestação | Meias de compressão, atividade orientada, elevação das pernas |
| Pós-parto imediato | Observação da evolução espontânea das varizes |
| Após 3 a 6 meses e fim da amamentação | Reavaliação vascular com ecografia com Doppler |
| Se indicado após reavaliação | Discussão de laser, radiofrequência ou cirurgia |
Quando procurar avaliação vascular
Toda gestante com varizes visíveis, inchaço persistente ou desconforto significativo nas pernas pode se beneficiar de uma avaliação vascular, mesmo que o tratamento definitivo só venha a ser considerado após o parto. Essa consulta permite orientar o uso correto das meias de compressão, esclarecer dúvidas sobre os sintomas e, principalmente, diferenciar varizes gestacionais comuns de sinais de alerta que exigem investigação imediata, como suspeita de trombose.
Está grávida e notou varizes ou inchaço nas pernas? Agende uma avaliação vascular em Brasília.
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